Casa no campo
Zé Rodrix e Tavito - 1972

(...)
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
E um filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapê
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros e nada mais







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Os segredos que guardo
Saltitam entre as gavetas
Exibem-se pelas frestas
Insinuam-se
São segredos despudorados
Mistérios falsificados
Porta entreaberta
que te convida a entrar


Ana Cabral



Sábado, Setembro 27, 2008


Postado por CABRAL -


"Rafaela Creczynski Pasa"



Quero tirar a rede do ar no mundo. Crer que o vazio não está na minha e-caixa.
Quero inventar uma tragédia. Um seqüestro, uma chuva de meteoros, um furação ou Tsuname. Algo maior que a saudade que aperta, mais arrebatador que o medo que aterroriza um pobre coração apaixonado. Um silêncio que grite mais alto que a sua mudez ao meu ouvido.
Quero pintar o ar com fumaça colorida, acender as luzes, colorir as páginas em branco do meu caderno de desenho. Encher todas as piscinas. Preencher todos os espaços vazios, que me importunam, tomados pela sua ausência.
Quero escrever outra história, outro homem, outra mulher, um novo enredo e um final feliz. Palavras que façam chorar de rir, gemer de amor e que conduzam o protagonista a se entregar, desarmado e com as mãos ao alto...




Quer uma água, um café...
...ou algo mais forte?

Quarta-feira, Setembro 24, 2008



Sábado, Agosto 16, 2008


Postado por CABRAL -

Tornaram-se minhas inimigas, as palavras. Se conectam em formas toscas. Não dizem mais coisa com coisa.
Estão doloridas, magoadas, ressentidas. Expressam alguma dor de não sei onde ou não sei o quê. Explodem em
gritos sem sentido. Agridem os ouvidos.
Palavras malditas, calem-se! Antes que estraguem com tudo.

Quer uma água, um café...
...ou algo mais forte?

Quarta-feira, Abril 02, 2008


Postado por CABRAL -

Palavras, soltas, ligadas

Eu sinto
Sente
Sinta
Pressinta
Persista
Não desista
Me liga
Me ama
Me chama
Me clama
Reclama
Declama
Na cama
Com cana
Só Ana
Desanda
Desata
Engata
Enlaça
Me laça
Se lança
Se liga
Me liga
De novo
Me ama.


Quer uma água, um café...
...ou algo mais forte?

Sexta-feira, Março 28, 2008


Postado por CABRAL -

O trágico fim de minha poesia

Sempre busquei essa tranqüilidade de amor
Um amor sem dor, sem dúvidas, sem saudades
Amor de verdade.
De tranqüilidade.
Abastecido.
Circular: o mundo e o louco.
Calor e abrigo.
Frio que dá, é se imaginar que pode acabar.
Nossa!
Nem me atrevo em pensar.
O amor perfeito é imperfeito, como deve ser.
Porque é amor, porque é humano, antagônico.
E na sua contradição, de tão bom, tornou-se o pior dos criminosos: Assassino!
O amor chegou, a busca acabou, a dor secou, e a minha poesia, o amor matou.


Quer uma água, um café...
...ou algo mais forte?

Quinta-feira, Setembro 06, 2007


Postado por CABRAL -


Só o tempo detém a resposta e ele faz questão de escondê-la.
Às vezes, como num “boca de forno” nos diz se está frio, morno ou quente.
Mas nunca ardemos o necessário para encontrar a resposta,
apenas o suficiente para seguir em sua busca.



Quer uma água, um café...
...ou algo mais forte?

Sexta-feira, Agosto 10, 2007


Postado por CABRAL -



Onde fica esse lugar que você se escondeu?
Tão distante e tão presente.
Sua ausência é marcante, delimita minuciosamente aonde falta a sua doce presença.
Não estou sentindo o seu abraço, seu braço em movimento de chega mais pra cá.
O seu cheiro ainda assombra a fronha do meu travesseiro. Me deixa confusa quando sinto a fragrância passando sorrateira até que aperto o travesseiro contra minha cara numa busca desesperada por mais algum resquício do que você deixou pra mim.
O frio que chega pela janela é vencido pela flanela do pijama de estampa pouco atraente, mas permanece a falta do seu corpo quente e do calor que sempre aumenta onde está a gente.
O escurecer da noite faz transparecer minha saudade e o clarear do dia ofusca o seu sorriso naquele porta retrato. E ao lado, também na cabeceira da cama, o calendário aflito grita que o dia é hoje.
Estará de volta. E eu, aqui, te esperando...


Quer uma água, um café...
...ou algo mais forte?

Sexta-feira, Abril 20, 2007


Postado por CABRAL -

E se for de brincadeira?
E se o despertador tocar ?
Se eu cair da cama?
E se, e se, e se...
Será?!



Quer uma água, um café...
...ou algo mais forte?

Quinta-feira, Abril 05, 2007


Postado por CABRAL -

Humm... Delicioso você!

Cheiro melhor que de mato molhado ou pão de queijo no forno

Gosto tão bom quanto rapa de doce de leite no tacho

Jeito de quem chega, às vezes sem jeito e vai se ajeitando,

É puro aconchego.

Voz que cai nos meus ouvidos doce como assovio de passarinho na Aurora

quente, que nem quentão de festa Junina.

Olhos de menino curioso que olha pela fresta

E boca salivante, como quando sente cheiro de Limão azedo

Delicioso assim é você


Quer uma água, um café...
...ou algo mais forte?

Terça-feira, Março 20, 2007



Segunda-feira, Janeiro 29, 2007


Postado por CABRAL -


"A persistência da memória - Salvador Dali""

Artigos de lei, incisos e alíneas
decisões do STF
linhas coloridas de marca texto
Anotações puxadas para o canto das páginas
Folhas grampeadas em pilhas
Textos lidos e ainda não relidos
Montes de informações que ainda não absorvi,
O tempo está se esgotando. Acabou.
Tempo que é relativo, é rei
Limitador e curador
Esgotou
Mas ainda corre...
Com mais pressa
Curto pro que tenho medo
Extenso para o que anseio.
Anseio você
Cadê?
Aproveito o meu tempo
Já que você se foi e o deixou todo para mim
Tão pouco que era, se tornou longo
Lógica pura, Se não você, então TEMPO
Que sobra, mesmo quando me falta pouco.



Quer uma água, um café...
...ou algo mais forte?

Terça-feira, Janeiro 09, 2007


Postado por CABRAL -


Essa imagem foi tirada do site:www.folhaembranco.org


Jogo as palavras escritas no lixo
Descarto-as, impressas ou não.
Delas, nesse instante, tenho nova percepção.
No que escrevo, e nessa minha pseudo ou pretensa poesia,
misturo tudo, fantasio.
É meu disfarce, minha covardia.
Eis que nesse instante, decreto meu silêncio escrito, pois, quem sabe...
Nesse abandono, sem disfarces literários,
possa eu, expressar com mais verdade, mais coragem, o que é real no que sinto.
Mesmo que seja exagerado,
Mesmo que assuste
Ou o mais temeroso: que não seja correspondido...
Essa pilha de papel em branco,
Eu dedico a mim
E a você
E a todo sentimento que vier de nós.


Quer uma água, um café...
...ou algo mais forte?

Terça-feira, Outubro 31, 2006


Postado por CABRAL -

Vasculhei pelas gavetas, do porão ao sótão daquela casa antiga. Muita poeira, cheiro forte de velharia guardada e papéis amassados. A idéia do novo impregnava o abandono daquele lugar. Toda a energia do velho, o mofo, o prego enferrujado entre as cascas de tinta, tudo gritava: Vá! Está tudo acabado por aqui, não há mais vida nesse lugar.

Teimosa, sentei-me junto à parede aguardando pela melancolia típica de lugares assim, mas estava tudo tão vazio, tão vivido, esgotado. Não encontrei a poesia do velho , logo eu, sempre tão nostálgica, sendo empurrada porta a fora daquela casa velha.

A "Rua da Vida que Segue" me chama, as luzes, o colorido da vida. A barriga fria assustada, a boca com o coração nela e a maçaneta da porta que range em minhas mãos...


Quer uma água, um café...
...ou algo mais forte?

Quinta-feira, Julho 20, 2006


Postado por CABRAL -


A imagem é novamente de :
"José Eliézer Mikosz"

Quando o vi pela fresta da porta quis sair, mas estava assustada. Espionava de longe o seu caminhar, as pessoas com quem falava, as flores que colhia, os olhares que trocava, as ruas que te traziam e depois levavam... Deixei a porta apenas encostada, sem tranca, e espionei da janela, onde não deixei só frestas, abri cuidadosamente as persianas e apoiei-me perto à jardineira, para que ao passar, me visse entre o colorido das flores e me confundisse com o perfume das rosas.

Hoje eu abri a porta, deixei-a presa com uma almofadinha de pedras, em forma de coração, é brega eu sei, mas tenho esperanças que chame a sua atenção. No trinco, esse bilhete: "a porta está aberta, o convite está feito, o café fresco, o pão saindo do forno e a dona de coração aberto. Mas a porta, ah sim, está aberta, entre e aconchegue-se antes que outro o faça, pois eu repito, a porta está aberta...


Quer uma água, um café...
...ou algo mais forte?

Segunda-feira, Junho 19, 2006


Postado por CABRAL -

Ih Gente! Tô tão fraquinha com as palavras. Se continuar desse jeito, viro roteirista de novela mexicana.
Mas... escrever e coçar, é só começar. Ou recomeçar.

Era uma noite fria e não havia coberta que me aquecesse. Acordei trêmula. Não. Continuava sonhando. Pude sentir seu calor e ele era tão seu que não me aquecia. Não queria usar a expressão ¿me enroscava¿ porque me soa brega, como as músicas que tocavam no rádio àquela hora, mas era exatamente o que eu fazia entre os pelos de sua cara desfigurada. Não diferenciei bem você de mim. Nunca fui boa nisso, me misturo ao todo ou às partes, o mundo é como um oceano onde mergulho até o fundo, ou quase lá. Sinto-me seduzida pelo que está imerso. Medo, frio, dor, tudo eu sinto, mas nada consegue me impedir que eu continue mergulhando, só você, que se mantém na superfície feito um navio, forte e seguro de si, com lindas e charmosas velas que usam do vento a favor de seu destino...

Quer uma água, um café...
...ou algo mais forte?